Esquinas de espaco e tempo
Pois eh...
Ha muito venho pensando em escrever algo sobre esta ideia...
A metafora das esquinas de espaco e tempo passou pela primeira vez pela minha cabeca ha muitos anos... acredito que eu tenha formalizado a ideia nos primeiros semestres do curso de engenharia, embora os conceitos provavelmente estivessem em minha cabeca desde o inicio do segundo grau...
Quando fiz o curso de Geometria Analitica e Algebra Linear (as saudosas aulas do Hamilton, no primeiro semestre da faculdade), costumava usar a ideia de ruas e avenidas se cortando perpendicularmente (tipo aqui em Sapporo) para conseguir visualizar determinadas situacoes. Basicamente eu pegava um problema em um espaco Euclidiano com, digamos, 7 dimensoes, e tentava imagina-lo de forma simplificada com 2 ou 3. Frequentemente funcionava, e eu conseguia um entendimento mais intuitivo da coisa toda.
Foi nesta epoca, refletindo sobre alguns colegas do segundo grau que eu jah nao encontrava mais, que pensei na ideia das esquinas de espaco e tempo como uma forma de modelar os encontros e desencontros da galera. Eh uma ideia bem simples (na verdade, meio retardada de tao simples, nao sei porque to contando esta historia toda.), e basicamente modela o tempo que voce passa com alguem como uma caminhada por uma cidade imaginaria.
Neste modelo, por exemplo, eu peguei um taxi na esquina de Belo Horizonte com Abril de 2004, segui reto todavida e desembarquei em Sapporo com Abril de 2004. Virei aa direita e tenho andado reto por quase um ano e meio. Neste meio tempo vi outros taxis chegando e saindo da av. Sapporo rumo a outros quarteiroes, dei umas tropecadas, xinguei o governo por nao tapar os buracos nas ruas, peguei chuva e tomei sol, parei num kaitenzushi pra almocar, vi alguns filmes, sentei um pouco para ler (mas o banco inexplicavelmente comecou a se mover...), acertei e errei.
Como eu disse, eh um modelo ridiculo em sua simplicidade. Mas me ajuda muito quando tenho que pensar na vida, especialmente nos dias em que a Maldicao do Ryuugakusei assombra minha caminhada. Quando isto acontece, penso que a cidade eh como BH, grande e ao mesmo tempo pequena, e que vc tah sempre esbarrando com conhecidos em uma esquina ou outra, aas vezes de forma inesperada.
Aos que caminham comigo, mesmo que em quarteiroes diferentes, o meu muito obrigado. Minha cidade seria um deserto sem voces, e a caminhada logo se tornaria um fardo. Aos que estao distantes, meu desejo mais profundo de que possamos nos reencontrar em uma destas esquinas de espaco e de tempo, seja para um rapido cumprimento, uma conversa, um almoco, ou para seguirmos em um rumo semelhante.
Abracos,








