Frase da semana: "They who would give up an essential liberty for temporary security, deserve neither liberty or security." - Benjamin Franklin

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Engenharia, Estatística e o Método Científico

Algumas pessoas incluem as engenharias no ramo das ciências exatas (junto com Matemática e Física, por exemplo), outros as colocam em um grupo separado denominado - nada originalmente - "Engenharias". Pessoalmente eu gosto de pensar nas engenharias como ciência aplicada: um conjunto de disciplinas que utiliza-se dos princípios e descobertas da ciência no desenvolvimento de produtos (tangíveis ou não) voltados para a solução de problemas específicos.

Algumas das ferramentas mais utilizadas por pesquisadores dos mais diversos campos - incluindo engenharias - são os testes e análises estatísticos. São estes testes que nos permitem, por exemplo, saber com um razoável grau de certeza que o comprimido de aspirina que você toma tem 100mg de Ácido Acetil-salicílico, sem que tenhamos que triturar o comprimido em questão e testa-lo (mesmo porque você não poderia tomá-lo depois disto).

Bem, após muitos anos enrolando, finalmente resolvi estudar estatística um pouco mais a fundo. Meu conhecimento da área era vergonhosamente limitado (para um pesquisador), e isto estava começando a limitar a qualidade da minha pesquisa (e consequentemente dos meus artigos).

E foi estudando o livro que escolhi (Applied Statistics and Probability for Engineers) que me deparei com uma descrição curta e excelente dos passos utilizados no método científico - e, é claro, na pesquisa em engenharia - para a solução de problemas!

Sem mais delongas, eis que vos apresento o método científico passo a passo:

1) Estabeleça uma descrição concisa e clara do problema em questão;

2) Identifique, pelo menos provisoriamente, os fatores importantes envolvidos na possível solução;

3) Proponha um modelo para o seu problema, a partir da informação e conhecimento científico disponíveis sobre o fenômeno em questão. Certifique-se de identificar as limitações e premissas do modelo;

4) Realize experimentos apropriados e obtenha dados que possam validar ou testar o modelo proposto no item 3;

5) Tente refinar o modelo o máximo possível, com base nos dados coletados no item anterior;

6) Utilize o modelo desenvolvido como uma ferramenta para a solução do problema;

7) Conduza experimentos capazes de confirmar a eficácia e eficiência da solução encontrada;

8) Obtenha conclusões (baseadas na solução do problema) sobre o fenômeno sendo estudado.


Complicado? Um pouco. Mas estes passos são necessários para separar fatos de besteiras. Obviamente cada etapa tem suas próprias sutilezas e detalhes, nas quais não vou entrar por hora para não alongar demais este já longo post. Outro dia comento um pouco mais sobre a importância dos testes duplo-cegos, de um conhecimento sólido de lógica e estatística (que era o tema inicial deste post, já estava quase esquecendo), e otras cositas mas.

Abraços a todos,

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Domingo, Setembro 30, 2007

Tropa de Elite

Tropa de Elite eh um filme do Bruno Padilha que tah marcado para estreia proximo dia 12 no Brasil. O filme (que jah me descreveram como o "Cidade de Deus, versao policia") tem como elemento principal o Bope (Batalhao de Operacoes Especiais) da policia do Rio, e a vida de alguns individuos dentro do Bope e da policia em geral.

O filme vazou na internet umas 2 semanas antes da estreia nos cinemas, e tah aa solta nos becos escuros da rede. Os produtores aparentemente ficaram meio bravos com isto, mas acontece... O que me surpreendeu foi a repercussao que este filme teve na net em tao pouco tempo: em poucos dias ouvi sobre o filme umas 3 ou 4 vezes, e sempre com comentarios altamente positivos. Pelo que pude ver em alguns outros blogs por aih, a galera enlouqueceu com o filme.

Acabei sucumbindo aa tentacao (afinal de contas, nao to no Brasil e ia ficar complicado de assistir pelos meios regulares) e acabei vendo pelo micro msm. Tenho que adicionar minha voz ao coro: EXCELENTE! Recomendo demais! Pra quem estiver no Brasil, assistam no cinema que eh ingresso bem gasto. A producao e a fotografia estao impecaveis, e a atuacao estah bem decente. A trilha sonora deixou um pouco a desejar, mas a musica-tema eh ateh interessante.

Um filmaco que bate numa tecla que eu e o "tio Wellman" jah discutiamos desde muito antes de eu vir pro Japao: o Rio tah em guerra. Mesmo. Guerra civil. Uma realidade que a galera tem medo de falar alto, mas uma realidade de qualquer forma. Uma guerra onde uma das faccoes eh sustentada, em parte, pelo dinheiro de gente bem de vida, educada, que soh quer fumar um "de boa", mas que prefere nao ver onde aqueles trocados vao parar no final. Como eu jah disse pra amigo meu que curte isto (que nao eh meu caso, felizmente): quer usar? O corpo eh seu, faca como quiser. Mas plante em um vasinho na sua casa (ou mude-se para a Holanda, onde isto eh legal, regulamentado, e a grana vai para clinicas de tratamento). Mas NAO DE DINHEIRO PRA VAGABUNDO!

Bem, o post jah tah perdendo o rumo, entao eh melhor eu parar por aqui... o resto das minhas divagacoes fica pra outro dia.

Abracos,

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Sábado, Junho 09, 2007


"Ao meu ver, existe apenas uma via de acesso à ciência – da mesma forma que à filosolfia : encontrar um problema, ser abatido pela sua beleza e cair de amores por ele. Então você se casará com ele e viverá feliz para sempre 'até que a morte os separe' - a menos que nesse meio termo você encontre um outro problema mais sedutor ainda ou, quem sabe, ao menos que você encontre uma solução para o primeiro. Mas, supondo que você a encontre, é bem possível que você descubra então a mais suprema alegria, toda uma família de problemas-crianças, charmosos, ainda que talvez difíceis. E é no bem-estar desta progênie que você poderá trabalhar utilmente até o fim dos seus dias." Karl Popper, 1902-1994.

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Quarta-feira, Maio 30, 2007

Pra pensar...


"All things considered it looks as though Utopia were far closer to us than anyone, only fifteen years ago, could have imagined. Then, I projected it six hundred years into the future. Today it seems quite possible that the horror may be upon us within a single century. That is, if we refrain from blowing ourselves to smithereens in the interval. Indeed, unless we choose to decentralize and to use applied science, not as the end to which human beings are to be made the means, but as the means to producing a race of free individuals, we have only two alternatives to choose from: either a number of national militarized totalitarianisms, having as their root the terror of the atomic bomb and as their consequence the destruction of civilization (or, if
the warfare is limited, the perpetuation of militarism); or else one supranational totalitarianism, called into existence by the social chaos resulting from rapid technological progress in general and the atomic revolution in particular, and developing, under the need for efficiency and stability, into the welfare-tyranny of Utopia. You pays your money and you takes your choice."

Aldous Huxley, na introducao de seu excelente Admiravel Mundo Novo. Detalhe: o livro foi publicado em 1932, mas me parece mais atual do que nunca...

Abracos a todos,

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