Engenharia, Estatística e o Método Científico
Algumas pessoas incluem as engenharias no ramo das ciências exatas (junto com Matemática e Física, por exemplo), outros as colocam em um grupo separado denominado - nada originalmente - "Engenharias". Pessoalmente eu gosto de pensar nas engenharias como ciência aplicada: um conjunto de disciplinas que utiliza-se dos princípios e descobertas da ciência no desenvolvimento de produtos (tangíveis ou não) voltados para a solução de problemas específicos.
Algumas das ferramentas mais utilizadas por pesquisadores dos mais diversos campos - incluindo engenharias - são os testes e análises estatísticos. São estes testes que nos permitem, por exemplo, saber com um razoável grau de certeza que o comprimido de aspirina que você toma tem 100mg de Ácido Acetil-salicílico, sem que tenhamos que triturar o comprimido em questão e testa-lo (mesmo porque você não poderia tomá-lo depois disto).
Bem, após muitos anos enrolando, finalmente resolvi estudar estatística um pouco mais a fundo. Meu conhecimento da área era vergonhosamente limitado (para um pesquisador), e isto estava começando a limitar a qualidade da minha pesquisa (e consequentemente dos meus artigos).
E foi estudando o livro que escolhi (Applied Statistics and Probability for Engineers) que me deparei com uma descrição curta e excelente dos passos utilizados no método científico - e, é claro, na pesquisa em engenharia - para a solução de problemas!
Sem mais delongas, eis que vos apresento o método científico passo a passo:1) Estabeleça uma descrição concisa e clara do problema em questão;
2) Identifique, pelo menos provisoriamente, os fatores importantes envolvidos na possível solução;
3) Proponha um modelo para o seu problema, a partir da informação e conhecimento científico disponíveis sobre o fenômeno em questão. Certifique-se de identificar as limitações e premissas do modelo;
4) Realize experimentos apropriados e obtenha dados que possam validar ou testar o modelo proposto no item 3;
5) Tente refinar o modelo o máximo possível, com base nos dados coletados no item anterior;
6) Utilize o modelo desenvolvido como uma ferramenta para a solução do problema;
7) Conduza experimentos capazes de confirmar a eficácia e eficiência da solução encontrada;
8) Obtenha conclusões (baseadas na solução do problema) sobre o fenômeno sendo estudado.
Complicado? Um pouco. Mas estes passos são necessários para separar fatos de besteiras. Obviamente cada etapa tem suas próprias sutilezas e detalhes, nas quais não vou entrar por hora para não alongar demais este já longo post. Outro dia comento um pouco mais sobre a importância dos testes duplo-cegos, de um conhecimento sólido de lógica e estatística (que era o tema inicial deste post, já estava quase esquecendo), e otras cositas mas.
Abraços a todos,
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